BRASIL SÓ VAI MUDAR SE SUA ELITE MUDAR

Hildegard Angel

 

Escrevo sob a inspiração das recentes e magníficas entrevistas de Lula em liberdade, único líder brasileiro de primeira grandeza vivo, em plena lucidez e vigor para a luta.

Apesar de todas as mazelas que se multiplicam a cada dia e pesam sobre nosso cotidiano, somos abençoados por ter um Lula, que nos fala à consciência, ao coração, à alma. Um farol. O maior Presidente da República de nossa História, e que, justamente por ser tudo isso, sofreu a maior campanha já movida contra um político em nossa vida contemporânea.

Lula é perigoso, sim, porque é revolucionário. Tudo o que fala, pensa, faz é transformador. Como foram seus dois governos, retirando do Mapa Mundial da Fome um país atavicamente indigente, onde a fome está tão entranhada e normalizada, que, em vez de escândalo e dor, suas representações nas artes são saudadas pela beleza pictórica, não pela agonia que deveriam inspirar.

Nas paredes dos salões da opulência, os retirantes de Portinari, com suas crianças esqueléticas, contrastam com naturalidade, e sem causar escândalo, com os tapetes persas.

O Brasil caminhou um longo percurso de sofrimentos e dificuldades, desde o seu Descobrimento. Séculos em que apenas os da elite puderam descansar a cabeça nos travesseiros com tranquilidade, sabendo que no dia seguinte teriam um teto, alimento para os filhos, condições para as despesas básicas. Os miseráveis, os pobres e mesmo a classe média sempre provaram o amargo pão dos obstáculos e injustiças sociais.

Um país em que a ignorância foi ardilosamente cultivada para que os mesmos poderosos de sempre prevalecessem, controlando o domínio do saber. Um país em que ser analfabeto era até há pouco tempo visto com naturalidade. E não possuir sequer certidão de identidade, um lugar comum. Um país que historicamente demonizou seus mártires e incensou seus demônios.

Elite racista, age como restrita sociedade de escolhidos, sem qualquer responsabilidade sobre o que lhes acontece ao redor, ungidos que mal enxergam as pessoas que os servem, olham através delas, como se não existissem. O pobre brasileiro é transparente. Seus nomes e rostos não são lembrados por aqueles a quem prestam zelosos serviços, mesmo que por longo tempo.

E é atravessando esta fase tenebrosa pandêmica, com os mortos se amontoando nos corredores dos hospitais e nos gráficos das estatísticas, que essa deformação comportamental dos donos do dinheiro e do poder, seu alheamento sobre o que parece não lhes dizer diretamente respeito, mais inspira nosso desprezo. A economia sempre à frente da vida humana. Esta é a pandemia à brasileira.

Elite que sempre ignorou e normalizou a corrupção, quando esta lhe serve, e que se faz de chocada e ofendida quando os corruptos não são os frequentadores de seu mesmo clube.

Sempre ouvimos que atrás de grandes fortunas há grandes crimes. Crimes contra o erário, impostos não pagos, poluição de águas e terras antes semeáveis, em nome de seus empreendimentos econômicos; poluição do ar que respiramos; devastação das florestas que purificam o ar, para fazer delas pastos ou contrabandear sua madeira; bancos que falem, evaporando junto economias de vidas inteiras. Até mesmo na caridade, obras, que se dizem generosas com os pobres, não sem antes drenarem para suas contas pessoais parte dos quinhões arrecadados com festas, convescotes, rifas, boletos.

Não basta o povo adquirir consciência sobre nossa realidade, como agora ocorre. Nada se modificará, todo progresso voltará a ser retrocesso, se não houver mudança radical e estrutural no comportamento da elite brasileira. Caso contrário, recorrendo ao tão explorado Giuseppe Lampedusa, estaremos sempre andando em círculos, no exercício de mudar para não mudar, andar para não caminhar, conquistar para em seguida capitular.

Uma trepidante aventura da diplomacia brasileira que merecia ser seriado do Netflix

O *Embaixador Marcio de Oliveira Dias abre seu arquivo de memórias diplomáticas, e faz aqui um relato pitoresco sobre as peripécias, envolvendo a colaboração de um contrabandista americano, que propiciaram trazer ao Brasil a espécie de carneiro Merino australiano. E hoje o embaixador é chamado pelos pecuaristas do Rio Grande do Sul, onde a espécie prospera, de “o padrinho de todos os merinos brasileiros”.

“Em 1969, fui transferido do meu primeiro posto, Nova York, onde consegui ser meu próprio chefe, à frente do Setor de Promoção Comercial do Consulado-Geral. Como gostei muito da experiência, busquei um pequeno Consulado, onde pudesse continuar a sê-lo. E fui designado Cônsul em Sydney, na Austrália.

Serviço monótono, pouco que fazer, vida sem sobressaltos, mas também sem graça. Apesar das excelentes ostras e das mulheres fisicamente interessantes (eram como as inglesas, mas com um visível toque calipígio), a distância do Brasil e a falta de interesses recíprocos não emprestavam maior substância ao trabalho do posto. Assim, pensava em lá não quedar-me por mais do que um mínimo de tempo aceitável.

Entretanto, houve um episódio extremamente interessante e digno de nota, sob e o qual mantive silêncio público por muito tempo, mas que hoje, passados já mais de 50 anos, parece-me até didático recordar. Começarei pelos antecedentes.

Convidado por um vizinho para jogar pôquer, um dos parceiros, simpático mas algo peculiar, era um americano, proprietário de um velho avião DC3. No dia seguinte, o vizinho esclareceu-me que o americano vivia de trazer, com seu avião, cigarros para a Austrália. Como não me pareceu que um contrabandista fosse companhia ideal para um cônsul estrangeiro, não mais aceitei convites para jogar.

Nesta altura, já em meu segundo ano na cidade, realizava-se a “Sydney Spring Fair”, evento anual de importantes transações na área agro-pecuária. E os jornais faziam fortes referências ao fato de que, neste ano, a Austrália permitiria a exportação de reprodutores merino, raça de carneiros famosa pela qualidade de sua lã. No ano anterior também haviam feito idêntico anúncio, mas os adquirentes dos carneiros não
puderam depois tirá-los do país.

O merino australiano tem alta reputação mundial pela qualidade e quantidade de sua lã. Basta dizer que o recorde mundial de preço por um dos seus reprodutores foi de 450.000 dólares australianos (então de valor superior ao americano) pagos em 1988. E o recorde de produção de lã da raça é de mais de 40 quilos de lã numa só tosquia.

Um parêntesis para explicar a situação. Na política australiana, alguns partidos eram verdadeiros “lobbies” de interesses. Assim, havia um partido ligado aos criadores dos carneiros, que tinham grande empenho em vendê-los ao exterior. Outro partido representava os interesses dos fabricantes de lã, que não queriam concorrência externa. O governo buscava atender ora a uns, ora a outros, se possível a ambos. Como a proibição de exportação dos reprodutores adquiridos com a garantia do governo tinha sido mal vista pela opinião mundial, os compradores internacionais
voltaram à “Spring Fair” para uma vez mais tentar levar os carneiros garanhões.

Dentre os estrangeiros que vieram à feira, estava um grupo brasileiro, ligado ao então Ministro da Agricultura, o gaúcho Cirne Lima. Explicaram-me a situação e expuseram seu receio de que, depois de investirem uma quantia nada desprezível, não pudessem tirar os carneiros da Austrália.

Lembrando-me do episódio do pôquer com o contrabandista de cigarros, ocorreu-me uma ideia, que lhes expus, dizendo que poderíamos tentar uma saída caso as autoridades australianas, como suspeitávamos, fugissem uma vez mais às garantias de exportação dos animais. Entusiasmadamente recebida a hipótese, expliquei que eu teria inicialmente de buscar a aprovação do Itamaraty, para o que contribuiria uma pressão do Ministério da Agricultura brasileiro. E, naturalmente, a concordância do americano contrabandista.

Mandando às favas minhas restrições à “profissão” deste último, chamei-o e diretamente perguntei se, assim como ganhava a vida “bringing in” para a Austrália, não estaria disposto a faturar, “taking out” carga de nosso interesse. Acedeu com o maior gosto.

Aí começou um trabalho paciente, que teria de ser feito com rapidez, pois diz-se que os reprodutores merino não costumam conservar sua potência por muito tempo, aparentemente fatigando-se do seu agradável mister.

A dificuldade inicial era a de que o Consulado, por não lidar com assuntos confidenciais, sequer dispunha de código para comunicações. Tive de expor o esquema ao Itamaraty por telegrama secreto a ser enviado via Embaixada em Camberra, e receber a resposta pela mesma via. Para isso fui duas ou três vezes à capital, distante pouco mais de 200 quilômetros (o que fiz com prazer ao volante da minha querida Alfa Romeo Duetto Spider, certamente chegando perto do recorde de tempo para viagens entre as duas cidades).

O esquema era o de mandar os carneiros para Noumea, na Nova Caledônia, donde embarcariam imediatamente num vôo da Air France para o Brasil. Os contatos com a Air France foram providenciados, confidencial e rapidamente, pelas autoridades brasileiras.

A área competente do Itamaraty, dirigida pelo excelente profissional Embaixador David Silveira da Motta, aprovou o plano e deu-me sinal verde para implementá-lo.

Como desconfiávamos, o lado australiano tinha suas idéias para barrar a saída dos carneiros. Assim, embora o Governo mantivesse que permitiria a exportação, o Sindicato de Carregadores do aeroporto anunciou que não permitiria o reabastecimento dos aviões que fossem transportar os animais. E com a
distância da Austrália, nem pensar em não reabastecê-los.

Comprados os reprodutores a peso de ouro, preparei a documentação para exportação e a submeti às autoridades locais. Advertido de que a exportação poderia não ocorrer, devido à ação do sindicato, insisti (com minha melhor aparência inocente) na legalização dos documentos de qualquer maneira. O que foi finalmente conseguido com a oferta amigável de uma caixa de “whiskey” ao claramente incrédulo agente.

Procurei, por discrição profissional, não inteirar-me dos demais detalhes da operação, deixando-os às competentes mãos do Itamaraty e do Ministério da Agricultura.

Tudo funcionou muito bem. Com os carneiros já no Brasil, sou um belo dia convocado pelo Governador. Recebido friamente, pergunta-me a autoridade, sem maiores rodeios, se eu havia contribuído para a saída dos reprodutores da Austrália. Respondi tranquilamente que sim. Subindo o tom, pergunta-me o Governador se eu não sabia que a exportação dos animais estava proibida pelo sindicato. Respondi-lhe, com a mais deliberada tranquilidade, que eu era acreditado junto ao seu Governo, em cuja palavra
publicamente difundida. acreditara, e não junto ao Sindicato dos Carregadores de Kingsford Smith (o aeroporto de Sydney).

A expressão de ódio e frustração do Governador é das melhores lembranças que tenho da carreira…

Furioso, disse-me que soubera que eu estava viajando em férias ao Brasil e que não pretendia voltar. E acrescentou raivosamente que era bom que não voltasse. Concordei com grande prazer e despedi-me, sem que ele se dignasse a estender-me a mão. O que só fez aumentar minha satisfação com a entrevista…

Na volta para casa, não consegui conter o riso. E até hoje dou boas gargalhadas ao lembrar-me do episódio. Anos mais tarde, já Cônsul-Geral em Buenos Aires, tive a satisfação de, numa passagem por Uruguaiana, ser efusivamente saudado por criadores gaúchos como “o padrinho de todos os merinos brasileiros”…

*Márcio de Oliveira Dias é embaixador aposentado, tendo representado o Brasil em vários postos importantes no exterior, com sua competência e seu apurado senso de humor e de observação, o que proporciona aos que o conhecem acesso a relatos espirituosos e palpitantes sobre a vida de um diplomata de carreira. Aqui no blog, ele nos premia com uma dessas suas interessantes experiências.

Vaidade flexibiliza isolamento no Rio

A pandemia ainda preocupa no Rio de Janeiro, com números crescentes, e contabilizando 274 mortes, a cada 24h, e total de 8,4 mil óbitos (dados de 18/06). Contudo, a vaidade feminina carioca já saiu do isolamento. A flexibilização começa pelos salões de beleza do Rio antecipando-se à sua liberação pela Prefeitura.
Tudo acontece discretamente. Alguns cobrem as vitrines com papelão, para que da calçada não se perceba o movimento no interior. Em um dos salões mais caros, em Ipanema, as clientes entram por uma porta lateral, têm sua temperatura conferida, álcool in gel nas mãos, ingressam num túnel de desinfecção, até chegar ao grande salão, que se abre para um jardim ao ar livre, e se instalam em poltronas, obedecendo ao necessário afastamento, onde borbulham cabeças coroadas, tingindo os cabelos, fazendo novos cortes, depilando as sobrancelhas.
Depois de quase quatro meses sem dar um trato no visual, as damas da sociedade tiram o atraso. Elas se preparam para o retorno ao convívio social. Nesse novo normal, consta que dia 2 de julho o exclusivo Country Club reabrirá as portas para os sócios. Inicialmente, devendo ser  liberada só a área externa: a grande varanda-restaurante, o gramado e a área esportiva das quadras de tênis.
O Country, como se sabe, foi epicentro da pandemia carioca de Covid-19, com dezenas de sócios contaminados, e infelizmente várias mortes muito sentidas.

Chega ao fim o casamento do Chanceler

Hildegard Angel

Este governo Bolsonaro, tão pródigo em metáforas em torno de casamentos, acaba de ver esticar a corda de um enlace não metafórico, que já se rompeu: o casamento do Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e Maria Eduarda Seixas Corrêa.

Tudo leva a crer que a primeira-dama do Itamaraty, chamada Duda pelos próximos, se cansou do cotidiano terraplanista, sujeito a tantas esquisitices. Afinal, ela é filha de um dos mais respeitados diplomatas do país, o embaixador Luiz Felipe Seixas Corrêa, que ingressou na Casa de Rio Branco, obtendo o primeiro lugar no concurso, e é considerado uma das grandes cabeças da instituição.
Ex-professor de Relações Internacionais e de História Diplomática do Brasil no Instituto Rio Branco, Seixas Corrêa era reticente sobre a política  externa empreendida pelo genro, preferindo se abster de comentar, quando provocado pelos colegas. Ele foi Chefe de Missão no México, na Espanha, na Argentina, na Delegação do Brasil em Genebra (ONU e OMC), na Alemanha, na Santa Sé e no Consulado Geral em Nova York, além de Conselheiro Internacional do Presidente da República José Sarney e, por duas vezes, Vice-Chanceler.
Ah, Seixas Corrêa também foi presidente do Órgão Intergovernamental da OMS, e certamente jamais iria propor ou endossar que o Brasil cogitasse romper relações com aquela Organização.
Se Bolsonaro, em vez do genro, tivesse mirado no sogro, teria pelo menos um ministério respeitável para chamar de seu.
Maria Eduarda Seixas Corrêa também é diplomata, e trabalha como chefe da Divisão de Treinamento e Aperfeiçoamento, setor administrativo responsável pelo aprimoramento de funcionários do Itamaraty.
Provavelmente por todos esses vínculos com a Casa, o rompimento do primeiro-casal da nossa carrière virou notícia no Boletim do Ministério distribuído hoje aos diplomatas.
O casal na cerimônia de entrega da Ordem do Rio Branco – Jornal o Expresso/Google

Zuzu Angel, Crime e Castigo

Hildegard Angel

Com o título “Crime e Castigo”, a coluna de Ancelmo Góes, de O Globo, publicou hoje, 15/06/2020, que o Judiciário reconheceu o assassinato de Zuzu Angel, e caberá à União pagar uma indenização às suas filhas – eu e minha irmã, Ana Cristina – não cabendo mais recurso.

Sabemos que indenização alguma paga uma vida, compensa a ausência do afeto, da compreensão e dos cuidados que só podem ser proporcionados por uma mãe. E uma grande, imensa mãe, como foi Zuzu. No entanto, cansadas de ler nas referências à morte de mamãe quase sempre a mesma frase “acidente por causas desconhecidas”, minha irmã e eu decidimos buscar providência que pudesse dar um basta nessa insistência em desinformar.

A grande imprensa sabia, os jornalistas sabiam, os formadores de opinião sabiam, os artistas, os políticos, os empresários, os juristas, todos sabiam. Teses foram escritas a respeito, livro foi publicado, canção de Chico e Miltinho composta, filme, dramatizações na TV, balé, exposições várias, encenações, ruas com seu nome inauguradas, escolas, Túnel, monumentos, prêmios… Homenagens que, enternecida e para sempre, agradeço.

Até mesmo no atestado de óbito de Zuleika Angel Jones já consta, como causa mortis, o assassinato pelo Estado brasileiro. Todavia, basta ligeira pesquisa no Google, e lá está, na Wikipedia e em inúmeras outras referências à morte de Zuzu Angel, a frase: “acidente por causas desconhecidas”.

Sempre fiz por agradecer aos muitos que repercutiram os fatos com fidelidade. Bem como agradeci aos que reconheceram os méritos e a coragem de Zuzu, porém omitiram no texto a verdade histórica de seu assassinato.

A fim de tornar indelével na memória brasileira essa realidade trágica indiscutível, ainda tratada de forma ambígua por alguns, nós, filhas de Zuzu Angel, após muitos anos de sua morte, resolvemos recorrer ao reconhecimento da Justiça, através do competente advogado dr. Ivan Nunes Ferreira.

Aproveito aqui para informar aos que inadvertidamente negarem o assassinato de Zuzu Angel, acontecido numa emboscada covarde pelos agentes da ditadura, que não se trata mais de simples omissão ou negligência, mas de um crime contra a memória de nosso país.

 

Obrigada.

Brasil, depois da queda, a putrefação

Hildegard Angel

O Brasil está na UTI, em estado terminal. Não adiantam mais cloroquina nem tubaína. Sequer cabe uma tentativa de ressuscitação. Estamos já em tratamento por médico paliativista, sob doses de morfina, na infrutífera tentativa de morte sem dor.

Chegamos ao estágio máximo da impossibilidade. Um país é seu povo. Um país é sua natureza. Quando a vida do povo, muito menos a da natureza importam, muito ao contrário o Estado é o promotor de sua destruição, só nos resta orar por uma passagem serena e indolor.

É como se o Brasil já tivesse se atirado do alto de um prédio de 30 andares, caindo em velocidade proporcional ao seu peso de país continente. Não há mais como impedir o impacto da queda, com o esfacelamento de todos os membros. A próxima missão será juntar os pedaços, limpar a área da catástrofe, inventariar os danos e expurgar os responsáveis, submetendo-os a uma Corte Internacional. Como acontece nas guerras, em que o inimigo é levado à expiação pública.

No Brasil, o inimigo é o próprio governante com seus asseclas. Resta a eles como alternativa trancarem-se em seu bunker e injetarem nas veias doses massivas e letais de cloroquina.

Brasil, um corpo já em estado avançado de decomposição, em que o tom esverdeado não é o de nossas matas, mas produzido pelos gases mal cheirosos das bactérias do intestino, e sua grandeza não é a territorial, e sim do inchaço do abdômen putrefato, atraindo moscas, que aceleram a decomposição e incomodam os convidados do velório, enquanto vermes gulosos se alimentam da podridão.

Parasitas, sem ideais, se multiplicam, se locupletam, penetram por todos os orifícios, ocupam todos os espaços, cargos, funções, centrões. Deglutem os privilégios, benesses, mordomias e jetons.

Um governo composto por quem não tem nome a zelar, nada a perder e a oferecer. Fritada, manipulada e humilhada, a sem noção Regina Duarte é agora substituída por um ator da última fila do coro, cuja única memória que guardamos de seu rosto é de um anúncio de cuecas. Perfeito para um cargo em que sua única tarefa será não executar coisa alguma, a não ser cabeças. Em vez de gestor, guilhotinador cultural. Assim como, no meio ambiente, no lugar de sementes, multiplicam-se as serras elétricas, e, na saúde, mortes são geradas em progressão geométrica.

Intrigados, só nos resta o conforto de, num jogo do contente, imaginar que os militares ali estejam apenas em patriótica força tarefa para, antes que seja tarde demais, tentar despertar o gigante entorpecido, sob os efeitos de um “boa noite Cinderela” bem ministrado, dopado para que lhe sejam perpetrados todos os tipos de abusos – o estupro de nossa soberania, da ciência, da cultura, da educação e, como objetivo principal, da Constituição.

A Covid-19 leva Lourdes Catão, última diva dos anos dourados ‘na ativa’

Lourdes Catão, no jardim de seu apartamento, no Edifício Biarritz (Foto de Sebastião Marinho)

Lourdes e Alvaro Catão, anos dourados

Hildegard Angel

A Covid-19 acaba de dar um amargo golpe na alta sociedade brasileira. Morreu, vítima da doença, a diva social Lourdes Catão, aos 93 anos. E ela não estava mesmo fazendo projetos de partir. Dias antes de ser hospitalizada, combinamos ao telefone um almoço em minha casa, depois da epidemia, para reencontrar as amigas. Ela não fazia planos de ficar doente. Falou-me: “Estou aqui bem quietinha, isolada. Eu não quero ir para o hospital”. E todos os cuidados foram tomados nesse sentido. Sequer delivery era pedido, para Lourdes não correr risco de se infectar. O jornal também não entrava na casa, pelo mesmo motivo. A única presença externa eram as duas acompanhantes, que se revezavam a cada dois dias. Ela sentia falta das amigas, que, também em isolamento, não podiam ir vê-la.

Lourdes jamais aposentou o cetro da elegância. Era vaidosa. Em qualquer momento, em casa, em qualquer lugar, estava sempre impecável, penteada, com arco ou fita nos cabelos, usando colar, anéis – e ela ultimamente exibia uma grande safira no dedo, e dizia: “Este anel foi da minha avó”.

Legítima representante da época dourada, não do Brasil, do mundo. Ao lado de Thereza de Souza Campos, compôs o par das Mais Elegantes. Ainda viva, Thereza abdicou do título de “10 Mais”. Talvez porque tenha adquirido outro título, o de princesa, por seu casamento com sua alteza imperial, o príncipe dom João de Orléans e Bragança, e talvez porque não seja tão vaidosa e preocupada com a aparência quanto Lourdes. Não, não incluo Carmen Mayrink Veiga junto às duas, apesar de várias reportagens fazerem isso. Havia uma pequena diferença de idade entre elas – Carmen era um pouco mais jovem – e trajetórias sociais diversas.

Lourdes era um escândalo de bonita. Vê-la entrar num daqueles restaurantes da moda de Nova York, como o La Grenouille ou o Caravelle, era sempre um acontecimento. As mesas silenciavam à visão da loura, quase platinum, cabelos em ondas e bem tratados, envolta em peles ou nalgum tailleur, que poderia estar numa vitrine da Bergdorf Goodman ou da Lord & Taylor. Ela sabia o que era qualidade.

O segredo de Lourdes foi sua enorme capacidade de se reinventar. Quanto seu casamento com Álvaro Catão terminou, ela se mudou para Nova York, com breve passagem por Paris, onde teve um namorado, e se tornou uma decoradora bem sucedida. Seu “abre-te Sésamo” profissional foram as boas relações sociais, como Beatriz Patiño, que lhe entregou o apartamento de Park Avenue para decorar. E vieram outros trabalhos, e mais outros. Lourdes se firmou também nos negócios imobiliários em Nova York. Comprava o imóvel, reformava, decorava, e vendia com lucro. Sua melhor credencial era seu próprio apartamento em Manhattan, ou a casa de Connecticut.

Sempre morou bem. A casa da Urca era um luxo, e quem quiser conferir a sua fachada neoclássica, o imóvel ainda está lá intocado, depois de ter sido vendido. Em Santa Catarina, onde foi morar depois de retornar ao Brasil, fez um paraíso particular na Lagoa da Conceição, em Florianópolis, para onde levava as amigas queridas do Rio de Janeiro, que retornavam embasbacadas diante do cenário montado por ela, cercado de jardins, flores, arvoredo.

Quando morreu Lucia Stone, viúva do diretor da Motion Pictures, Harry Stone, Lourdes não perdeu tempo. Lucia morava num dos mais emblemáticos e cobiçados endereços do Rio, o Edifício Biarritz, na Praia do Flamengo. Seu apartamento térreo tinha direito ao uso do jardim ao fundo, com fontes e esculturas Art-Déco, topiarias, paisagismo francês clássico muito bonito, onde os Stone deram festas memoráveis na cidade. Lourdes pediu ajuda à irmã, Helena Gondim, que telefonou fazendo uma proposta de compra do imóvel para a herdeira e sobrinha de Lucia Stone, Loreta Burlamaqui. Venda imediatamente fechada. Quando os outros candidatos à compra abriram o olho, as chaves já estavam com Lourdes, que fez do duplex uma joia preciosa, com móveis ingleses, chinoiserie, ares de refinamento e até cheiro de Central Park South, New York.

Com a morte de Helena, Lourdes passou a editar o livro Sociedade Brasileira, iniciativa de décadas da irmã. Coube à Lourdes, filha pródiga que retornava ao cenário social, passar a ditar “quem era quem” na sociedade. O livro era um catálogo exclusivo, um clube fechado, em que ser verbete significava passe livre para a vida em sociedade, praticamente uma condecoração. Depois de três edições, ela interrompeu a publicação. E isso foi para sempre. Não tinha temperamento para sofrer tanta pressão dos que, a todo custo, desejavam ingressar naquelas páginas.

No apartamento do Biarritz, e naquele jardim, ela passou a receber para jantares e almoços, sempre preparados pela própria cozinheira, e disso ela se orgulhava, o que evidenciava seus requintes de grande anfitriã. Sim, Lourdes foi da geração de mulheres que se destacavam por saber receber com classe, as melhores louças, pratas, cristais, o requinte de um menu bem elaborado, e bastante pessoal. Até os arranjos de flores eram dela.

As amigas de Lourdes completavam o cenário. A verdadeira “aristocracia social”. Na minha cabeça revejo, lado a lado, naqueles sofás de damasco, poltronas de veludo, Maria Thereza Williams, Thereza Muniz, Thereza Castello Branco, Thereza de Souza Campos, Therezinha Noronha – as Therezas com H, chancelas de uma época em que tudo era, foi e sempre será elegância.

A última vez em que as amigas de Lourdes foram reunidas foi dia 12 de março, aniversário dela. Naquela data, iniciava-se a quarentena. Sua filha, Bebel Klabin, promoveu um almoço em sua casa de tijolos vermelhos, no Cosme Velho, pelos 93 anos de Lourdes. Foi tudo perfeito. Nós nos cumprimentamos encostando os cotovelos, não mais apertos de mãos nem beijocas. Havia uma orquestra de chorinho, que, a horas tantas, fez algumas de nós dançarem. Lugares marcados à mesa, Lourdes exultante à cabeceira. Jogo americano grifado por Lygia Mattos e bolo de aniversário, enfeitado com miosótis, de Regina Rodrigues, a boleira que marca RR em seus bolos e docinhos. Não faltou, à sobremesa, o discurso da aniversariante, declarando felicidade pelos filhos sensacionais que teve, afirmando não guardar arrependimentos de qualquer espécie – e concluindo com um brinde à Bebel, e a frase: “Minha filha, eu amo muito você!”.

Bebel retribuiu: “Mamãe, você foi o grande exemplo de minha vida, que eu procurei sempre seguir”. Aplausos.  A grande revelação da tarde foi o anúncio, por Bebel, de que sua mãe trocaria o duplex do Biarritz por um apartamento “sem escada” em Ipanema. Assim, Lourdes ficaria mais confortável, Bebel mais descansada, e o Biarritz perderia sua diva.

Sabíamos que Lourdes não desejava abandonar sua “obra prima”, que seu desejo era morar ali naquele cenário para sempre. Mas ela jamais contrariaria a filha. Nem precisou. O destino se encarregou de atender ao seu último desejo.

PS: Nesses últimos dias, o coronavírus levou outra grande dama da sociedade dos anos 50/60, grande dama mesmo, Gilda Saavedra, viúva do Barão de Saavedra, linda e refinada, padrão das mulheres perfeitas da época, morreu no dia em que completava 100 anos. A Covid-19 está fazendo um estrago na memória social brasileira.

 

Um cemitério nas costas*, com honra e louvor

Hildegard Angel

Não são os velhos que estão morrendo. É o meu mundo que está se indo embora. Hoje, partiu minha infância, com Little Richard, que me fez vir à cabeça o pote de Gumex de meu irmão, que devia ter uns 14 anos, usado para esculpir seu topete elaborado. Vestido com sua jaqueta de couro, à la James Dean, Tuti fez uma única festa em casa, com todos os amigos dançando rock na sala, ao som de Tutti Frutti – Tuti como no apelido dele, “que coincidência” eu achava. Os rapazes balançavam os braços, rodopiavam, giravam as garotas. E eu de penetra, para dissabor do irmão envergonhado pela pirralha infiltrada. Os Long Plays de Little Richard eram o destaque em nossa rádio vitrola, que tocava discos de 33 rotações, 78 e 45, e tinha também The Everly Brothers, Bill Haley & His Comets e, claro, Elvis Presley. Ah, Little Richard foi, sim, o pioneiro do Rock’n Roll, e ninguém tasca seu trono lá de casa.

Alô, Daisy!

Foi-se Daysi Lúcidi, com sua voz morna e meio rouca, que inspirava empatia, ídolo da Rádio Nacional, supercampeã de audiência por décadas com seu programa Alô, Daisy!, amada, idolatrada, com seus conselhos e a caridade radiofônica, que a levou a ingressar na política com honra e glória. Seu reinado nas ondas longas e curtas começou a ser ameaçado por Cidinha Campos, numa disputa pelos melhores horários na emissora, onde Daisy era amada e tinha sempre a primazia das escolhas. Cidinha, no auge de sua juventude, talento, vigor crítico e determinação, abalou a hegemonia de Daysi na casa. Imagino o quanto deve ter sido penoso, para Daysi, ver sua posição afetada. Mas ela foi em frente, na política e nas novelas, para onde foi levada pela amiga, também oriunda do rádio, Janete Clair, e, posteriormente, pelo jovem autor de novelas Gilberto Braga, seu antigo vizinho na rua Ayres Saldanha, em Copacabana. Daysi tinha todo o carinho da classe artística. Era presença constante, com o marido Luís Mendes, nos jantares memoráveis do ator, produtor de novelas e “chef”, Fabio Sabag, e era amiga-irmã da atriz Yara Cortes, que brilhou na telinha global como Dona Xêpa e em O Casarão. 

Projeto de Jesus

Foi nos anos 90. Jesus Chediak me procurou com um pedido. Queria mostrar a Hebe Camargo um monólogo teatral a ser apresentado por ela, que excursionaria por todo o Brasil. Liguei para Hebe em São Paulo, ela ficou de avisar quando viesse ao Rio. Assim foi feito. Hebe chegou, marcamos um almoço no Gourmet do Zé Hugo Celidônio, em Botafogo, e fomos eu, ela, o sobrinho, o autor Jesus Chediak, uma outra pessoa que não lembro. Jesus expôs seu projeto. Hebe riu, sem mostrar muito interesse. Aflita, tentei apoiar o amigo com meu argumento tosco: “Hebe, você vai lotar teatros no Brasil inteiro, será o máximo, você vai ganhar toneladas de dinheiro. Cidinha Campos comprou sua casa na Barra com o sucesso de seu monólogo Homem Não Entra.” Pra quê! Hebe fez um muchocho de ironia, deu um risinho, e disse, “ah, a Cidinha comprou uma casa na Barra é?”, como se dissesse “ah, a Cidinha comprou um barraco, é?”. Caí em mim da minha gafe. Hebe era inimiga figadal de Cidinha, que tinha, mais ou menos como com Daisy no rádio, ameaçado a hegemonia da loura na televisão Record. Nunca mais falou-se no projeto de Jesus, e ele seguiu seu caminho, sempre árduo, na cultura brasileira. Há três ou quatro anos, fui convidada para uma sessão reservada de seu documentário sobre Pedro Aleixo, político mineiro, vice-presidente no período de 1967 e 1969, no governo Costa e Silva. Foi Aleixo quem desaprovou a assinatura do AI-5, dizendo a frase “Não temo o que fará o presidente com ele, temo o que poderá fazer o guarda da esquina”. O filme revela que o conservador Pedro Aleixo, udenista de raiz, tinha um irmão membro do Partido Comunista, Alberto Aleixo, tipógrafo e editor do jornal do partido, Voz Operária. Alberto, após longo sumiço, reapareceu para a família em Belo Horizonte, propondo a venda de sua parte na herança comum, avaliada em seis mil cruzeiros. Nenhum herdeiro se interessou. Mas Alberto insistia. Até que um sobrinho se dispôs a comprar a parte, mas só daria quatro mil. Foi quando Alberto insistiu que desejava fechar o negócio, sim, porém apenas por três mil cruzeiros, que era do que precisava para manter a circulação do jornal, sediado no Rio, na rua Álvaro Alvim. E assim foi feito. Alberto Aleixo, idealista de raiz.

Alberto foi preso pelo governo, sua saúde ficou muito abalada na prisão, porém o promotor negou a prisão domiciliar, alegando que, se ele teve saúde para fazer subversão, teria para pagar o preço de seu “crime”. Morreu Alberto cumprindo pena, sozinho, no Souza Aguiar, como presidiário. Pedro Aleixo viveu o drama de, na condição de vice-presidente, não conseguir interceder pelo irmão, com quem chegou a se encontrar uma vez na clandestinidade. Anos de chumbo.

Os Migliaccio

A partida de Flavio Migliaccio trouxe com ela a lembrança de sua irmã, atriz tão fabulosa quanto ele, Dirce Migliaccio, uma das Irmãs Cajazeiras. Lembrei-me de seu desempenho hilariante em O Vaso Suspirado, peça de Francisco Pereira da Silva, atuando em duo com Virginia Valli, minha tia – duas grandes comediantes – no Teatro Jovem de Kleber Santos. Dirce foi das maiores do riso inteligente do país. Aplaudida, contudo, jamais obteve reconhecimento à altura de seu brilhantismo. Morreu quando vivia no Retiro dos Artistas, onde se recolhem os artistas que nunca ganharam o suficiente para um pé de meia.

O Teatro Jovem do Mourisco era considerado “a off-Broadway do teatro carioca”. Kleber propunha uma nova dramaturgia, que refletisse a realidade brasileira. O Jovem valorizava em sua programação os autores nacionais, como o autor Flavio Migliaccio, com a montagem do espetáculo Todo Mundo Ri, em 2 atos. Um ato com texto de Flávio e um de Francisco Pereira da Silva. Foi o teatro de minha adolescência. No Jovem, assisti à épica A Moratória, de Jorge de Andrade, que lançou e projetou a atriz Isabel Ribeiro. Outra peça impagável de Flavio Migliaccio: A Ocasião Desfaz o Ladrão. Lá, assisti à Eva Wilma – que desempenho! – como Banca Dias em O Santo Inquérito, a magistral criação de Dias Gomes, uma “Joana D’Arc” à brasileira. A apoteose de público do teatro de Kleber, contudo, não foi a alta dramaturgia nacional, foi um lindo espetáculo musical, de Hermínio Bello de Carvalho, Rosa de Ouro, com Aracy Cortes, e não me sai da cabeça a voz peculiar e o coro, entoando “Rosa de Ouro / que tesouro / é esta rosa cravada no fundo do peito”.

Que muitas rosas de ouro sejam depositadas nos túmulos de Little Richard, Daysi Lúcidi, Jesus Chediak, Flavio e Dirce Migliaccio, e tantos outros, que partiram deixando rastros encantados e vestígios encantadores. Sim, eu carrego um cemitério nas costas, este é o legado que me coube no latifúndio equilibrista (bênção, Aldir Blanc!) da memória brasileira. E com muita honra!

*Referência ao discurso-epitáfio de Regina Duarte

Renda Mítica

A ingenuidade é a marca da oposição. Arraigada a lógicas e princípios, não sabe lidar com uma realidade do absurdo. Quer argumentar, quando não há ouvidos. Contrapor, quando o por não existe. Num erro tosco, esforça-se, discursa, se esgoela para corrigir projetos prejudiciais ao povo. Assim, consegue fazer com que a renda mínima proposta por Guedes, que seria de 200, passe a 600, podendo chegar a 1.800, mas que chegará ao brasileiro carimbada com um M, de Mito.

 

Passeata de Pirro

Passeata de Pirro. Desfilou no Aterro, ao meio-dia deste sábado, uma fila única de carros, com forte aparato de viaturas policiais, na abertura e na fechadura. Na comissão de frente, um caminhão de som com oito pessoas na proa, sem máscaras e vestidas de verde e amarelo. Como não havia multidão, havia buzinas, contínuas, insistentes, estridentes, aborrecentes. Não se sabia o que pediam. Ouvia-se vez por outra um grito de “mito”. De um dos carros, partia, em volume alto, música com letra que grunhia “Bolsonaro”. Uma grosseria sem tamanho, invadindo o sábado e a privacidade de ouvidos já acostumados ao silêncio da quarentena. O que queriam? Protestavam contra quê? O “mito” está no poder, devidamente entronizado por eles. Mas o “mito” não aceita poder dividido. Câmara, Senado, Supremo, imagina! Para quê tantos palpites? Como ousam, se há o “mito”, o “mitooo”!!! Não querem um presidente, aspiram por um monarca com poder supremo. Um imperador. Czar. Um Todo Poderoso para reinar no país da verdade paralela, dos feitos virtuais, das conquistas de mentirinha, do progresso fictício. Um ditador fake para o país da fakeada, da fraquejada, da fancaria. Brasil em frangalhos, Brasil com F. De Feio.