Antropologia da Vieira Souto

Se existe uma instituição na sociedade carioca é o coquetel souper anual de aniversário de Paulinho Bandeira de Mello. Uma característica simpática do party é a lista de convidados mantida religiosamente a mesma, apenas novos nomes são acrescentados. Assim, observar a festa do Paulinho é praticamente um exercício de antropologia. Você reencontra os sobrenomes de raiz de nossa sociedade, seus filhos, netos, genros e noras, e conhece as novas forças do poder, da beleza e da categoria do Rio de Janeiro.

Além de fidelidade aos amigos – 99% deles confrades do Country Club – registre-se outras constâncias de Mirna e Paulo: o tom salmão alaranjado, que lhes cobre as paredes da sala, o biombo Coromandel e a grande tela abstrata de Áquila, levados do antigo endereço na Praia do Leme para o atual apartamento da Praia de Ipanema. Um casal tradicional nos assuntos do coração e da decoração. Certíssimo! Casa é o cenário da vida vivida, vitórias, conquistas, perdas e ganhos. É palco de nossos próprios enredos e sonhos. Casulo de afetos e emoções, linha constante de nosso tempo.

Assim, ao tim-tim do champagne, ao chacoalhar do gelo nos copos, pinçando delícias com os dedos gulosos, pescando histórias saborosas nos bate-papos com amigos antigos e recentes, o elenco permanente de Mirna e Paulinho desliza anualmente, de grupo em grupo, numa confraternização verdadeiramente elegante.

Mirna Bandeira de Mello em sua sala salmão

Cesar Arthou e Paulo Bandeira de Mello

Com o casal Fernanda e Paulino Basto

Sandra Haegler

Silvia Fraga e Luiz Fernando Santos Reis

 

Fotos de Marcelo Borgongino

 

 

A Volta das Múmias

Hildegard Angel

No início, era a sensação de viver um pesadelo que nunca termina. Agora, nos vemos num filme de terror, em que múmias de assassinos e torturadores saem das tumbas e, corpos putrefatos e em decomposição, avançam maquinalmente, braços estendidos em direção a seus torturados do passado, como se pretendessem “terminar o serviço”.

Thriller – A Volta das Múmias não é um blockbuster, é uma realidade no Brasil atual, onde o ex-tenente Mario Espedito Ostrovski, torturador notório* da ditadura militar, arvora-se o direito de processar o ex-torturado e jornalista Aluízio Palmar, por este ter noticiado as torturas ocorridas em 1969, no 1º Batalhão de Fronteiras, em Foz do Iguaçu, no Paraná.

As sevícias relatadas em livro por Palmar foram pela primeira vez expostas em carne viva, em 1985, nas páginas 136 e 137 do Tomo II, Vol. 1, do livro Brasil Nunca Mais – BNM, publicado com aval e coordenação dos então mais importantes e respeitados religiosos do país: o Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, o Rabino Henry Sobel e o Pastor presbiteriano Jaime Wright.

O ex-tenente, conforme o livro, infligiu penoso martírio a Isabel Fávero, grávida de dois meses, jovem professora de escola rural paranaense, que, em 1969, foi levada presa com o marido para o quartel do Exército, em Foz. Lá, ela recebeu choques elétricos nos mamilos, na genitália e nas extremidades do corpo, aplicados pelo próprio Espedito. Após as torturas, Isabel abortou seu bebê, sangrando durante vários dias, sem lhe ser permitido sequer se limpar.

Esse episódio voltou ao noticiário em 2015, com a divulgação do Relatório Final da Comissão Nacional da Verdade, reunindo depoimentos dados, em Audiência Pública, por Izabel Fávero, Aluízio Palmar, Ana Beatriz Fortes e Alberto Fávero. Essa nova revelação das sevícias impostas no Batalhão do Exército em Foz motivou um grupo de populares a manifestar seu repúdio em frente ao escritório de Espedito.

Sim, de quando em quando, de sempre em sempre, essas histórias precisam ser contadas e recontadas, seus algozes lembrados e apontados, para que a cada vez se repita em nós o mesmo pasmo por tais barbaridades. A apatia e a insensibilidade social são uma doença. Torturar, martirizar, supliciar, materializando fantasias, taras e impulsos cruéis não é normal. Torturar, martirizar, supliciar é anormal seja por qual motivo for. Não pode ser aceito com naturalidade.

A cada lembrança da tortura de Isabel é citado o nome do ex-tenente torturador, que, assim como se mostrou expedito em dar choques, agora se revela expedito em praticar vingança, sentindo-se talvez empoderado pelo momento e se fiando na hipótese de a nova Justiça brasileira estar de fato cega para a verdade, como andam dizendo por aí.

O depoimento de Isabel Fávero à Comissão Nacional da Verdade pode ser visto no YouTube

*Torturas praticadas pelo ex-tenente Mário Espedito Ostroviski – Cronograma das denúncias ,conforme o Centro de Direitos Humanos e Memória Popular de Foz do Iguaçu

·       1985 – Projeto Brasil Nunca Mais – informações nas páginas. 136 e 137 do Tomo II Vol. 1. Depoimento contundente de Luiz Andrea Fávero.

·       1985 – O jornal Correio de Notícias, de Curitiba, publicou na capa, notícia que o governador José Richa, exonerou da chefia da Assessoria de Segurança e Informações da Copel, devido às denúncias de torturas cometidas pelo ex-tenente.

·       2005 – Livro “Onde foi que vocês enterraram nossos mortos? Autor, Aluízio Palmar, Editora Alameda, páginas 36, 66, 68,74, 206 e 261.

·       2013 – Audiência Pública da Comissão Nacional da Verdade. Depoimentos de Aluízio Palmar, Isabel Fávero, Ana Beatriz Fortes e Alberto Fávero.

·       2013 – Ampla repercussão do vídeo com depoimento de Isabel Fávero, onde ela conta as torturas sofridas e denuncia Mário Espedito Ostrovski como torturador. Esse vídeo está hospedado no youtube https://youtu.be/a3-vpaKAPSU

·       2013 – Notícias das torturas no batalhão do Exército em Foz do Iguaçu: Site da Secretaria de Estado da Justiça – Paraná; Portal G1; Portal H2Foz; Site do Fórum Paranaense da Verdade Memória e Justiça

·       2015 – Relatório da Comissão Nacional da Verdade Além de seu nome consta na lista de torturadores, Mário Espedito Ostrovski é citado nas páginas 638, 766 e 914.

E AGORA, MANÉ?


Hildegard Angel

(uma paródia heresia do magnífico E AGORA, JOSÉ? de Drummond)

E agora, Mané?
O país acabou,
a luz apagou,
o emprego sumiu,
a noite é calor,
e agora, Mané?
e agora, você?
você que é sem nome,
que no Face é tigrão,
que se acha e ameaça,
que xinga, protesta,
e agora, Mané?

Está sem dinheiro,
não tem pro mercado,
seu vício é taxado,
já não pode beber,
já não pode fumar,
não pode pagar
nem eletricidade,
a noite é um horror,
o dia é mais tarde,
o transporte é mais caro,
só o riso é de graça,
sem ter do que rir,
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, Mané?

E agora, Mané?
A palavra cassada,
Dormir na calçada,
sem SUS, nem pra febre,
o almoço é jejum,
o jantar é não tem,
sua aliança de ouro
vale um Big Mac,
ser pobre é destino,
sua incoerência,
seu ódio — e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe casa;
quer nadar no mar,
o mar virou óleo;
quer ir para Miami,
Miami não tem mais.
Mané, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se esperneasse
ao som do Lobão,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, Mané!

Sozinho no escuro
um pobre coitado,
só ódio e agonia,
sem uma parede
para se encostar,
seu carrão vendido
pra não dar calote,
você marcha à ré!
Mané, para onde?

Com Lula livre e a Constituição respeitada, o Brasil amanhece outro Brasil

Hildegard Angel

O Brasil espana sua desolação. Constituição respeitada. Lula livre. Uma aragem de Democracia sopra em nossos rostos abatidos. O Brasil amanhece outro Brasil. Um Brasil que não se curva e não se permite ser enganado. Sem medo de contestar mentiras, pronto a reagir até a última gota de sua energia à manipulação sádica, indecente, contínua e covarde da mídia poderosa, do judiciário partidário, dos sanguessugas de pijama, do apetite insaciável do mercado.

De início, tontos, intimidados, assistimos ao crescimento dessa ficção vestida de “equilíbrio jornalístico”, que compara alhos a bugalhos, como iguais. Comparar patriotas a milicianos, nacionalistas a extremistas, usar a ingenuidade dos brasileiros crédulos e desinformados como instrumento de seu poder, esses são os fermentos da erva daninha, que agora cobre, oprime e suga a seiva de toda a Nação.

O copo cheio de mágoa derramou o leite. Não temos mídia forte, temos voz. Se nos impedem a fala, usamos a escrita. Se nos rasgam as páginas, navegamos na Internet. Se nos cortam os sinais, vamos de porta em porta, rua em rua, boca em boca. Se, no início desse surto brasileiro, desnorteados e sem saber como reagir, toleramos essa falsa isenção da mídia poderosa, não toleraremos mais. Perdemos o medo de desafiar quem tudo pode, e que tanto afrontam nossa Democracia. Eles têm força, nós temos coragem. Eles querem tudo ganhar, nós temos ainda menos a perder. Nossos princípios são a munição que nos fortalece. Não nos permitiremos curvar a tanta desfaçatez em invólucro de imparcialidade. O que nos move não é o culto à personalidade de um líder. É o nosso povo retratado por Portinari, são as vidas secas, as rodas vivas, os bacuraus, Marielles e Zuzus, as Ágathas de hoje e os possíveis Stuarts de amanhã, e que o ontem da tirania nunca mais se repita entre nós.

RE(IN)SSUREIÇÃO “RODA VIVA 2019 NO RIO Q A PARIU EM 1968″ – Um texto sensacional de ZÉ CELSO MARTINEZ CORRÊA

Depois de quase um ano em cartaz em São Paulo com casa cheia, o espetáculo “Roda Viva”, escrito por Chico Buarque, chega ao Rio com o histórico Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona.

A temporada curtíssima acontece do dia 8 deste novembro até 1º de dezembro, na Cidade das Artes: às sextas e aos sábados, às 20h, e aos domingos, às 19h, com ingressos de R$ 45 a R$ 120.

Abaixo o texto de Zé Celso Martinez Corrêa sobre o espetáculo

Flavio Império, arquiteto cenógrafo de teatro, figurinista y eu, fomos
Convidados pelo jovem Poeta Músico Chico Buarque pra Encenar seu
Primo Canto no Teatro: “Roda Viva”.
Em dezembro de 1967 chegamos no Rio.
Chico foi quem investiu na Produção da Peça.
Já tinha sido criada uma Ótima Banda.
Começamos com testes pra escolher um Coro com 4 Cantora(e)s.

O Cenário do “Teatro Princesa Isabel”
no Leme era a manjedoura
onde sería Parída “Roda Viva”.

Criados Negros vestidos à la Debret,
ensaiados pelos Donos do Pedaço a saudar o Público curvando o torso,
cabeça, mãos, até o chão, elegantemente como no Século 18,
o da Escravidão.

Num Repente
a Insurreição Mundial do Século XX em 1968;
Invade aquele Cenário.

13 corpos de Indivíduo(a)s absolutamente diferenciados,
q já faziam sem saber, um Coro.
Vinham já com um Corifeu Imantado: o Cafúso Samuka,
Cabeludo Black Power: Fenômeno!
Nijinski Tropical sem Pulos!
Pés Na Terra
Imantando, dançando o Chão do Espaço: Plateia Palco

Estes Invasores vinham d Planeta não percebido ainda:
A TERRA IN SEUS CORPOS TERRÁQUEOS
Todas revoluções inimagináveis daquele 68 aqui agora;
q não diferenciavam Palco-Plateia;
tocavam nas Pessoas como si as Despertassem d um sono centenário.
Os Ensaios em minutos do “aqui agora” SALTARAM SÉCULOS!

Desde a Antiguidade este “Coro Pré-Grego” foi buscado pelos Grandes
Criadores da Historia do Teatro Ocidental.
OS COROS dos Musicais Americanos eram já cultuados,
no levantar das pernas rigorosamente juntas.

O Coro d improvisadores lucidamente possuídos,
Time de Jogadores do Futebol Teat(r)al com o Público;
nasceu Telúrico no Brazyl: 1º TROVÃO Do Ano D 1968.
Ensaios viraram Pré Carnavalescos. Portas Abertas.
Buchicho surgiu y chegou aos
Artistas na Assembléia Permanente Posto 9 Ipanema.
Vinham fazer o Papel de Público Atuador
Uma dia: baixou Mick Jagger y a Estrela Africana,
Cantora do Pati-Patatá: Miriam Makeba ao Vivo.

17 de Janeiro de 1968: ESTREIA
Efebos, Donzelas Fãs do Chico de “A Banda”
Pasmos! O q? “Teatro de Agressão!?
Não como foi rotulada
Mas Iniciação num Floramento Deflorado da Hora!
Todas Sessões Lotadas.

“Roda Viva” seguiu pra SP no Teatro Galpão.
Plateia também Lotada.

A “Milícia do CCC”: Comando de Caça aos Comunistas,
assistiu 70 vezes a Peça.
No final d’um Espetáculo, in poucos segundos, declancharam a
“Operação Quadrado Morto” tentando apagar a ”RODA VIVA”;
Destruíram as cadeiras do Teatro, subiram nos Camarins
PARA-MILITARES do Patriarcalismos,
bateram nas Mulheres Atrizes,
a divina Marília Pêra foi a que mais apanhou .

Em SamPã substituía a lindíssima Marieta Severo, no papel d Juliana,
mulher do Ídolo da Peça no Rio.

Na TV Tupy 100% de Audiência Entre os apoiadores da Ataque x
Lideres da Classe Teatral nos Movimentos d 68 .
Os mais Conservadores do Teatro, estavam apreensivos :
Será q vamos toda(o)s ter de fazer este tipo de Teatro?

Manhã do day after do Ataque: Cacilda Becker, declara na TV :
“TODOS OS TEATROS SÃO MEUS TEATROS”.

À Noite o Teatro estava Reconstruído!!!!
Multidão Dupla Populosa: dentro y fora da Teatro.
A de Fora, na Rua, com estudantes da “Faculdade de Filosofia da
Maria Antonia” y de Toda a Cidade, faziam uma Roda d “Segurança”.
Coroada de Hera, Silvinha Werneck com um Pedaço de Pau,
era a Graça d Boticelli

Em Porto Alegre no Imenso Teatro Leopoldina montei Roda
y voltei pra SamPã.
Nesta Noite, o 3º Exército Invade o Elenco no Hotel,
fugindo dos quartos, pras Escadarias, artistas y técnicos
perseguidos por cassetetes.
Sangue nas Paredes, Degraus do Hotel…
A Famosa Vedete Elizabeth Gasper, q fazia o Papel de Juliana no Sul,
y o Violonista Zelão, foram raptados, levados pro mato,
ameaçados de estupro. Num Ônibus de volta a SamPã,
enfiaram todo Coro y Protagonistas amontoados Sangrando.
O 3º Exercito proibiu em Todo Território Nacional “RODA VIVA”.
Prenuncio do atualmente famoso “AI 5”

Violências com q esta Florada Cultural foi Massacrada nos Corpos de
Cada Pessoa inventores d’um Teatro Musical Brazyleyro Mundial,
nunca Visto.
Prometi a mim mesmo: isso não fica assim.

“Longa abertura, Restrita, Gradual” da Ditadura 64,
voltando do exílio
Retorna o Desejo de Encenar esta Obra Prima Tão Sacrificada.

Vem a Busca de recriar aquele Coro no Teatro Oficina Uzyna Uzona,
Só foi encontrado em “BACANTES”.
Levados pela Justiça Justa d Xangô
Começamos a Desejar re-encenar o Tabú Máximo do Teatro
Brasileiro: “RODA VIVA”
Chico não autorizava, achava sua primeira peça fraca.
Mas eu insistia: ”O Primeiro Canto” é Célula Mater d toda Arte
Futura..

Depois do GolpInpchment d Dilma em 2016 Chico Libera a Peça!

28 de Outubro d 2018 Aniversário dos 60 anos do OFICINA
Data da Vitória Eleitoral do Bolsonaro
Cantando pra não Chorar, na madrugada
Decidimos: Vamos montar Roda Viva 2018-19”

Em 1968 não tinha INTERNET
Nem Musica Sertaneja Universitária Filha do AgroNegócio.

Neste mesmo Lap Comunicador
onde estou agora,
mãos à Obra :
reescrever “RODA VIVA”,
atento a preservar os versos,
rimas preciosas,
Estrutura do Enredo de um auto religioso
Bem Tramado d Chico

Catherine Hirsch, q assiste no Teatro Oficina
Ensaios y Espetáculos já in Cena
Desempenha o no Papel da Multidão-Público.
Como o Pov(o) Público é q mais me Interessa como Amante
Ela é Minha Diretora;
O Jovem Nolram, recém chegado do Acre, competente na digitação
y entendido de Sertanejo Universitário .
Os Três viemos pra este Comunicador
Renascía na Escrita: “Roda Viva 2019”

Ensaios com Multidões: Coros,
Atuadores mais Experientes na Protagonização.
Banda, Luz, Som, Arquitetura Cênica, Figurinos, Diretores de Cena,
Vídeo, Contra Regras: um TYAZO DIONIZÍACO
Amores, Amados, Amantes, progressivamente atuando
cada noite mais ao Vivo
A Incorporar Além do Bem y do Caos
2019 o PIOR ANO de Todas Nossas Vidas
mas q acabou Criando uma Primavera Cultural no Brazyl!

RODA VIVA NO TEATRO OFICINA
Lotou Todos, absolutamente Todos Espetáculos q fizemos em SamPã.
Não há melhor treino pra criação ao vivo no Teatro
q Fazer Espetáculos Todos os Dias com o Lugar Lotado d Pessoas :

Atrizes, Atores, Coros, Música(o)s, Técnica(o)s Improvisadores…
Enfim todo Tyaso assim foi crescendo, chafurdando no q é a Novela dos
dias d hoje o Jornalismo y a prática da cosmo-política foi comendo
tudo y se prepara agora pro o Banquete com o Público Carióca.

Meu Ator Zé Celso, Inicia o Espetáculo sempre como um Corifeu
ensaiando o Público Atuador, de pé, estendendo seus braços pra
diferentes Focos da Ação, numa Trilha Musical q Corre todo 1º Ato.
Fácil de captar. Depois Rezamos com Villa Lobos y Manoel Bandeira
pra divindade panteísta: a Natureza nos transmitir nossa força d ação.

O Público nos Teatros como o Maravilhoso Teatro da Cidade das
Artes se vê Espelhado num Celular Imenso y em Telonas. O
Câmara Ator Igor Marotti, filma em dois imensos planos
sequência no 1º y no 2º ato , q são projetados sempre ao Vivo.

Projetados no Celular, as Pessoas do Pública(o) se veem y passam a ser
Público Atuador em todo decorrer da peça.
Sendo Xamado de IÁ! = O SIM DO SIM: o Oposto ao AI!
Vamos devorando formas y estilos gastos
da Vida até a Morte y a Ressureição na Insurreição
q estamos todos já quase ouvindo, mesmo sem saber
no latejar do IN-SURGIR.

Pela 1ª Vez em minha vida
Eu estive presente em todos os espetáculos com meu assistente do lado.
Anotamos descobertas de cada lance diário.
Entro as vezes em Cena,
sem maquiagem vestido sempre de Branco
ou com um Poncho dos Índios Tarahumaras,
Tribo no México em q Artaud
tomou peyote nas giras com Índios
Gargalhando, Peidando em Rodas Vivas nos Altos Morros.

Recebemos os Fluxos do Brasil y do Mundo
In Re-Insurreição d Terráqueos
In Barcelona, Líbano, Hong Kong,
Argentina, Equador, Peru, Chile com os Índios Mapuche,
Das Mil Tribos no Território América Latina Brasil,
Brotam os talentosos Xamãs Intelectuais Contemporâneos
Negros Haitianos, Americanos, Africanos

“Roda Viva 2019” introduz a gíria dos mêmes da Internet
na Língua do Teatro ;
no movimento q Terráqueos q somos,
ameaçados de Extinção,
mas numa progressão regressiva a
subjetividade do meu Corpo meu Território.

Um Corredor estará Aberto na Plateia pra comunicação forte
com Todas Pessoas neste Imenso Teatro.

Todo Elenco y Público ligado
no Mundo in Mutação pro seu fim ou seu renascimento
Vamos agir juntos Público pra não Extinção da Terra.
Pra nosso Re-Nascimento como Terráqueos.

Descobrimos a Alegria Poderosa da “Roda Viva”
Nos anos 60 a MPB cantava esta Obra Prima de Chico
com Tristeza d Vítimas.

Mas a Roda Viva gira sempre a favor de Mais Vida.
Por mais q queiramos segurar nossa Saudade
fazendo o Tempo parar, a Roda Viva nos passa uma rasteira
y nos põe de pé de novo em situações inesperadas q assumimos
na Alegria Intensamente Trágica, Cômica y Orgiástica.
Somos Moídos por Ela, sobretudo nos momentos de um mundo q
agoniza y ainda quer nos levar juntos, mas q ao mesmo tempo nasce
esta RODA VIVA relembrando o q é Viver ao Vívo.

O Fim da Terra, o Levante dos Mares, o Degelo das Groenlandias, as
ondas de fascismos se transmutam na “RODA VIDA DA VIDA VIVIDA”
q coça com o Erguer-se dos Povos Terráqueos
Índias-Índios vem vindo de baixo pra cima.
Chegou a Hora:
Coragem y Muita Alegria.

O Carióca tem Humor na Pele, pra Nós do OficinaUzynaUzona
chegar á Cidade Sempre Maravilhosa
é encontramos com Nosso Público Namorado
O mais Amado
Mais q nunca Amantes y Amados
vamos gozar juntos na “Roda Viva”
pra q Mundo não Acabe.
Estou doido pra este nosso Re Encontro inspirado in Éros

“Roda Viva” vai nos unir na ação, mais q Nunca.

Zé Celso Amante

31 d Outubro dia das Bruxas
Xamando todos os Santos y Todos os Mortos pra estarem na nossa Estreia dia 8 no Teatro da Cidade das Artes na Barra da Tijuca.


MERDA

Os tristes fins de Bubulina

Anthony Quinn e Lila Kedrova, a Bubulina de Zorba, o Grego, em imagem do filme captada no YouTube

Hildegard Angel

Como eu amava a Bubulina! A antiga cortesã francesa, idosa saltitante e solitária, patética e ridícula, pintada com exagero, vestida com extravagância, emplumada, coberta de bijuterias, brilhos, e tão exuberante!

Embalada em sonhos de glórias passadas, Bubulina era hostilizada pela gente mesquinha e atrasada da pequena aldeia grega, à exceção de Zorba, que via nela encantamento. Jamais esqueci a cena da morte de Bubulina, no filme Zorba, o Grego. No leito, prestes a morrer, Bubulina cercada de pudicas carpideiras de preto, que, ao perceberem seus últimos espasmos moribundos, correram a abrir armários, apossar-se dos vestidos, das joias, lingeries, com enlouquecida alegria. E dançavam com os boás de plumas, davam gritinhos de excitação, disputavam as peças do guarda-roupa decotado e lascivo daquela Bubulina, de que sempre desdenharam, mas que naquele instante demonstravam querer ser, todas elas, bubulinas. Eram bubulinas reprimidas e recalcadas.

Sempre me lembrei de Bubulina com ternura e nostalgia –  saudades do filme Zorba o Grego, de Irene Pappás, de Nikos Kazantzakis, Cacoyannis e Theodorakis. Saudades do Zorba, Anthony Quinn, que conheci, e com quem dancei o Sirtaki na festa de meu casamento em Nova York. Saudades, saudades daqueles anos de cinemas de arte lotados na madrugada, no Rio de Janeiro. Filas intermináveis no Paissandu, para assistir a todos os Goddards, aos anos passados em Mariembad, guarda-chuvas do Amor e Un Homme Une Femme. Saudades da fila do Rian, na Av. Atlântica, para embarcar no Yellow Submarine dos Beatles, e me alistar no Exército de Brancaleone – “leon, leon, leon…”

Agora, vejo um destino ainda mais trágico para a gentil Bubulina: emprestar seu nome a um cargueiro grego, transportador da morte de nossa fauna marinha, emporcalhando algas, pedras, o fundo do mar e as praias mais lindas do planeta. Espalhando destruição, desalento e fome nas comunidades de pescadores, arrasando a economia de cidades nordestinas.

Bubulina, a francesa doce, sonhadora e frágil, cantora de cabarés de antigamente, que despertou ardor e ternura no liberto Zorba, não merecia essa mancha negra de óleo no obituário.

Muito menos a Venezuela merecia ser tão caluniada.

PALMAS PARA JANE FONDA, VAIAS PARA A OMISSÃO DE NOSSOS ‘FAMOSOS’

Jane Fonda, na manifestação da sexta-feira passada, em frente ao Capitólio, quando foi presa pela segunda vez (Crédito: https://www.straitstimes.com/world/united-states/actress-jane-fonda-arrested-during-climate-protest)

 

Nesta sexta-feira, a combativa atriz Jane Fonda deverá ser presa pela terceira vez consecutiva, por protestar diante do Capitólio, em Washington, contra a poluição do meio ambiente pela indústria petrolífera.

Quando foi presa ali da primeira vez, Fonda anunciou que continuaria a se manifestar para ser presa no mesmo local em todas as sextas-feiras, nessa sua campanha linda de conscientização mundial. Jane tem 81 anos. Paralelamente à atividade artística, que a consagrou como uma das grandes atrizes do mundo, ela é uma ativista de causas da Humanidade desde a juventude, quando ergueu o punho e levantou a bandeira contra a Guerra do Vietnam.

Nossos “famosos” são bondosos e fofos. Eles colecionam gatinhos, cãezinhos, tartaruguinhas e peixinhos de aquário. Ai, que lindos! Têm coração grande e nenhum pingo de consciência e de responsabilidade social, com raras honrosas exceções. Quando se envolvem em política – salvo alguns poucos notáveis – é para apoiar a Lava Jato, as duvidosas “medidas contra o crime”, manifestações e governo fascistas. Se vestem de preto, seguem em excursão para manifestações pró-golpe, sobem em árvore, vestem a camisa da Seleção e marcham soldado. Umas gracinhas! E como são fotogênicos com suas coleções de bichinhos peludos! Dá até vontade de apertar.

Apertar o crânio seria a coisa certa, para ver se despertam de sua inconsciência e abrem seus bicos com preenchimentos, levantam suas vozes influentes contra o escárnio que tem sido a ação, isto é, a inação do governo brasileiro frente ao ataque a óleo contra as costas do Brasil.

O maior desastre ecológico de nossa História, superior às calamitosas quedas das barreiras da Vale em Mariana e Brumadinho. Uma catástrofe cujas consequências são tamanhas que ainda não foi possível avaliá-las em sua gigantesca dimensão.

Consequências sobre a fauna e a flora marinha, sobre a pesca, atividade produtiva que envolve milhares, talvez milhões, de vidas, contra o turismo e o lazer, contra a vegetação das praias, contra a saúde pública. Tudo isso ocorrendo desde agosto, e as celebridades, caladas, sem reagir contra as nossas autoridades, que apenas agora acordam pra cuspir, escarrar mentiras na mídia, vomitar supostas intervenções que não fizeram, providências que não tomaram, e naturalmente transferir as responsabilidades para seus desafetos, que entram nesses discursos políticos de ódio como Pilatos no Credo.

Dessa forma, foi Maduro quem mandou despejar petróleo aqui, foram os governadores do Nordeste que não agiram, até atrapalharam. Inconsequente não é o Governo, são os pescadores e os voluntários, que metem a mão na areia para enrolar e ensacar o óleo, é o Greenpeace, que deveria estar lá fazendo isso.

Finalmente, com suas passadas de ganso, e em câmera lenta, chegam os valorosos militares, calçando botas e luvas de borracha, pra dar conta do recado depois do leite derramado, digo, do óleo.

Enquanto isso, nossos famosos dançam, cantam, postam fotos no Instagram com seus bichinhos.

Jane Fonda, querida, você merece todas as admirações, e nesta sexta-feira estarei, mais uma vez, na primeira fila das redes sociais, aplaudindo sua atuação!

(Com este post, homenageio também outra ativista pelas causas boas, Yone Kegler, amiga e fã nº1 de Jane Fonda)

O leilão de Glorinha Paranaguá, a embaixatriz do bom gosto

O encantamento do universo da saudosa embaixatriz Glorinha Paranaguá desde ontem passa pelo martelo da casa de leilões de Horácio Ernane. Além do acervo de Glorinha, estão incluídas algumas peças de coleções de outros sobrenomes bacana, como Larragoiti e Celidônio. Difícil acontecer um leilão com tanto bom gosto reunido.

Quando os embaixadores Paulo e Glorinha Paranaguá retornaram do último posto dele, no Marrocos, eles se instalaram na Avenida Atlântica, no Edifício Chopin, com vista para a piscina do Copa. Não demorou muito para Glorinha iniciar a sua produção de bolsas, inicialmente bolsas min, inspiradas na clássica Chanel, matelassê, em cetins coloridos, com um lacinho no local do fecho. Elas já vinham forradas de seda com estampa de pied de poule, inicialmente embaladas em saquinhos de seda preta, até os saquinhos passarem a ser iguais ao forro das  bolsas. Ainda sem a loja de Ipanema, Glorinha recebia as clientes na sala de seu apartamento, sem qualquer decoração. Eram caixas sobre caixas da mudança do Marrocos, que não haviam sido ainda sequer abertas. Foram bem uns dois ou três anos da sala cheia de caixas. E as bolsas de Glorinha se proliferando, desfiladas como troféus pelos salões cariocas. Troféus de bom gosto e diploma de “insider” da sociedade, pois ter uma bolsa Glorinha Paranaguá passou a conferir status. Quando enfim montou sua loja em Ipanema, na Praça Nossa Senhora da Paz, Glorinha, já viúva, se mudou para um apartamento do outro lado da praça, que ela decorou com o requinte de uma embaixatriz traquejada e o charme da mulher talentosa que era. E o quadrilátero da moda passou a ser o seu mundo. Era comum encontrar Glorinha caminhando por ali, no vaivém do trabalho, indo à missa na Igreja ao lado, conferindo as vitrines do Fórum. Sempre impecável, em seus vestidos chemisiers largos, sem corte na cintura, e que lhe caíam muito bem. Posteriormente, mudou-se para outro endereço na praça, e sempre com o mesmo décor de poltronas de xadrez azul e branco, com as banquetas iguais, bichos de porcelanas brancas, móveis de qualidade, ingleses, franceses, marroquinos, e quadros com assinaturas importantes. Ser recebida por Glorinha em sua casa era agradar os olhos, com coisas belas, e os ouvidos, com histórias de encantamento, daquela que circulou e frequentou no melhor dos mundos e chamava a duquesa de Windsor pelo prenome, Wallis.

 

 

 

Amir Haddad ganha trono e carro alegórico nos 25 anos do Círio Profano de Nazaré

Há 25 anos, a Cidade Velha de Belém do Pará ganhou seu Círio Profano de Nazaré, criado pelo diretor consagrado do mundo dos espetáculos, Amir Haddad, que no Rio de Janeiro comanda o Grupo Tá na Rua.

Inicialmente, com 50 artistas, hoje eles são mais de 500 atores e atrizes que encenam o Círio Profano, atraindo uma multidão pelas ruas da Cidade Velha, paralelamente ao Círio tradicional. Para celebrar as Bodas de Prata desse Círio do Amir, um super espetáculo, os participantes providenciaram um carro alegórico com trono, e lá veio ele, vestindo manto e com coroa de louros. Feliz e orgulhoso, o inovador do teatro brasileiro, que há décadas se dedica, de modo liberto e pleno, à construção de uma consciência artística engajada com as necessidades de expressar e de representar o Brasil e seu povo.

Amir Haddad: coroa de louros, trono e manto, no carro alegórico, levado pela multidão da Cidade Velha

Amir acena para os participantes do Off-Círio de Nazaré
Cabeças descobertas ou cobertas com cocares, fitas e coroas, na celebração do Círio Profano, em Belém do Pará

Faunos, faunas e a biodiversidade balançaram o Marimbás

Os garçons eram faunos com chifres, recepcionistas serviam maçãs aos que chegavam e se cobriam com folhas de parreira, tal e qual Adão e Eva no convite para o casamento/aniversários. Costelas de Adão enfeitavam as paredes, uma serpente ondulava pelo carpete da decoração, onde o vermelho e o dourado imperavam. A noiva, Vera Tostes, com um quadro de Picasso na frente do vestido e outro nas costas. O noivo, Newton Cunha, com uma cobra de brilhantes na lapela do paletó de smoking. A cereja do bolo era uma maçã dourada.

Uma festa para se dançar bastante e rir muito. Uma ode à biodiversidade, reunindo várias espécies. A espécie dos museólogos, a das artes e todo o antiquariato do Shopping Cassino Atlântico, onde Newton só perde em número de lojas para a mega  Tok&Stok.

Um grande portrait fotográfico em preto e branco, por Antonio Guerreiro, entronizava na parede do Marimbás o novo casal Tostes-Cunha como festeiros oficiais cariocas, com muitos clicks para seu beijo na boca arrebatador, na pista de dança. Que sejam felizes para sempre, todos desejaram.

Faunos, Evas, Adão, Vera e Newton, em fotos de Marcelo Borgomgino